Pesquisadores da empresa de segurança ESET identificaram o uso de uma rede descentralizada chamada Yggdrasil durante um ataque cibernético contra uma empresa ucraniana de logística de grãos. Segundo a investigação divulgada pela Reuters, essa foi a primeira utilização documentada da rede por um grupo de hackers associado a um Estado.
O ataque começou com uma mensagem de phishing direcionada a empresas de logística, companhias do setor de grãos e terminais portuários ucranianos. Depois de obter acesso a computadores, os invasores instalaram ferramentas que permitiam controlar máquinas remotamente, navegar por arquivos, capturar telas e roubar documentos. A comunicação foi ocultada por meio de um servidor alojado na rede Yggdrasil, uma infraestrutura experimental mantida por voluntários e sem um proprietário central.
Depois de obter privilégios administrativos, os invasores utilizaram o SDelete, uma ferramenta legítima da Microsoft destinada à eliminação segura de arquivos, para destruir dados nos computadores afetados. O episódio ilustra uma característica comum de ataques sofisticados: criminosos podem abusar de programas legítimos já presentes no ambiente, tornando a atividade maliciosa mais difícil de distinguir das operações normais de TI.
A ESET associou a invasão inicial ao grupo UAC-0099, ligado à Rússia, e identificou características da atividade destrutiva atribuída ao Sandworm, grupo amplamente associado à inteligência militar russa. Os pesquisadores acreditam que o primeiro grupo possa ter facilitado o acesso para o segundo, mas não conseguiram determinar com certeza quem operou a ferramenta de acesso remoto. A empresa vítima também não foi identificada, e a ESET não confirmou se as operações de exportação de grãos foram interrompidas.
Fonte: Reuters
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